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Atualmente, sou... digamos... aprendiz de vegetariana. Pensar que, para satisfazer minha gula, tenho de ser conivente com o sacrifício de animais, fez-me, aos poucos, desistir de comê-los. Entretanto, não pratico o vegetarianismo "vegan", que descarta todo e qualquer alimento de procedência animal. Eu continuo ingerindo ovos e laticínios prazerosamente e sem culpa.
Às vezes, ainda tropeço e caio de boca numa torta de atum, numa tainha assada recheada com farofa ou num strogonoff de frango... Mas é raro...
Assim, quem pretende encontrar neste blog uma boa receita de rosbife, leitão à pururuca, carré de cordeiro, vaca atolada, escondidinho de carne-seca etc., perdoe-me, mas será uma busca infrutífera! Fora isso, sejam todos bem-vindos!







quinta-feira, 28 de abril de 2011

LEMBRANÇA DE APARECIDA


Chamava-se Aparecida
e era pretinha
como a Santa
que lhe emprestou
o nome.
Não sei se era de santa
a sua bondade: sei
que era de gente.
Eu gostava de tomar chá
em sua cozinha
numas canecas brancas reluzentes
por fora estampada
a imagem de Nossa Senhora.
E gostava de comer os seus bolinhos
fritos, cheirosos, de polvilho azedo
e fubá de milho
que vinham fumegantes
e era preciso deixar esfriar.

Um dia não me deixaram
tomar chá com bolinhos
na cozinha de Aparecida
mas não me disseram por quê.
Só depois fiquei sabendo
que Aparecida morreu.
Com certeza foi para o céu
tomar chá com bolinhos
junto de Nossa Senhora.


(Cláudia Ribeirão. In:Percurso. Scortecci Ed., 1982.)

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