BEM-VINDOS AO BLOG!

Atualmente, sou... digamos... aprendiz de vegetariana. Pensar que, para satisfazer minha gula, tenho de ser conivente com o sacrifício de animais, fez-me, aos poucos, desistir de comê-los. Entretanto, não pratico o vegetarianismo "vegan", que descarta todo e qualquer alimento de procedência animal. Eu continuo ingerindo ovos e laticínios prazerosamente e sem culpa.
Às vezes, ainda tropeço e caio de boca numa torta de atum, numa tainha assada recheada com farofa ou num strogonoff de frango... Mas é raro...
Assim, quem pretende encontrar neste blog uma boa receita de rosbife, leitão à pururuca, carré de cordeiro, vaca atolada, escondidinho de carne-seca etc., perdoe-me, mas será uma busca infrutífera! Fora isso, sejam todos bem-vindos!







sexta-feira, 29 de abril de 2011

PÃO-DE-MEL, A-MENINA-DE-MEUS-OLHOS




Mel... adoro mel! Mel de flor-de-laranjeira, mel silvestre, olhos cor-de-mel (esses são lindos!!!), pão-de-mel...
Comecei a fazer pão-de-mel há muito tempo, quando eles ainda não tinham virado modismo e não eram tão populares. A receita, que tem me acompanhado durante esses anos todos, eu obtive numa revista que trazia receitas variadas para a Páscoa, inclusive receitas de ovos e bombons. Vinha intitulada como "Pão-de-mel da Conceição". Já se passaram mais de vinte anos... Pelo direito de usucapião, acho que posso renomeá-la como "Pão-de-mel da Cláudia" (rsrs). Já experimentei outras receitas, mas esta é imbatível - a menina-de-meus-olhos!

PÃO-DE-MEL

MASSA
2 xícaras de mel
5 colheres (sopa) rasas de manteiga
1 xícara de açúcar
1 colher (chá) de cravo moído
1 colher (chá) de canela em pó
1 colher (chá) de café solúvel
1 xícara de leite morno
1 colher (sopa) de bicarbonato de sódio
1 cálice de conhaque
1/2 xícara de cerveja
7 xícaras de farinha de trigo

RECHEIO
Massa de brigadeiro, doce de leite, doce de coco, geléia de damasco etc.

COBERTURA
Chocolate ao leite fundido.

MODO DE FAZER
Bata o mel com a manteiga até obter um creme fino.
Adicione o açúcar, a canela, o cravo, o café solúvel, o bicarbonato, o leite morno, o conhaque e a cerveja. Continue batendo até incorporar todos os ingredientes.
Acrescente a farinha de trigo aos poucos, mexendo com uma colher de pau.
Bata vigorosamente a massa com a colher, até que comecem a se formar bolhas de ar.
Leve a massa à geladeira por pelo menos três horas, para que resfrie e ganhe consistência.
Abra a massa com as mãos numa assadeira untada e enfarinhada (ou coloque em forminhas com o auxílio de duas colherinhas) e leve para assar em forno moderado preaquecido, até que, enfiando um palito, este saia limpo (eu já não faço mais isso; no meu forno,a 1ª fornada fica pronta exatamente em meia-hora; a 2ª assa nuns 25 minutos, mais ou menos - precisa ficar de olho para não queimar - mas vc. percebe logo qdo. está assado, por causa do cheirinho delicioso que se espalha...).
Deixe esfriar,desenforme e coloque o recheio desejado.
Corte em quadrados de aproximadamente 7cm, caso tenha assado em tabuleiro. Passe os pães-de-mel pelo banho de chocolate fundido.
Se desejar, enriqueça a massa com nozes ou castanhas-do-Pará moídas.
Prazo de validade: 7 dias.

MINHAS DICAS:
1.Utilizo 1 xícara de cerveja, ao invés de 1/2 xícara, como manda a receita original: fica mais fofinho.
2.Pra untar a forma, passei a utilizar Untaforma, à venda em lojas de produtos para confeitaria e panificação: é mais prático, porque tem a consistência de um hidratante NIVEA e pode ser aplicado com pincel: além de não sujar as mãos na hora de untar, é mais fácil de soltar o pão-de-mel assado da forma.
3.Para dar o banho de chocolate, passei a utilizar chocolate fracionado, que não é horrível como o hidrogenado, mas também dispensa o choque térmico do chocolate tradicional.
4.Utilizo o chocolate ao leite e também o meio-amargo, que acho uma delícia.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

LEMBRANÇA DE APARECIDA


Chamava-se Aparecida
e era pretinha
como a Santa
que lhe emprestou
o nome.
Não sei se era de santa
a sua bondade: sei
que era de gente.
Eu gostava de tomar chá
em sua cozinha
numas canecas brancas reluzentes
por fora estampada
a imagem de Nossa Senhora.
E gostava de comer os seus bolinhos
fritos, cheirosos, de polvilho azedo
e fubá de milho
que vinham fumegantes
e era preciso deixar esfriar.

Um dia não me deixaram
tomar chá com bolinhos
na cozinha de Aparecida
mas não me disseram por quê.
Só depois fiquei sabendo
que Aparecida morreu.
Com certeza foi para o céu
tomar chá com bolinhos
junto de Nossa Senhora.


(Cláudia Ribeirão. In:Percurso. Scortecci Ed., 1982.)